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Drogas Proibidas e o Coração - Nabil Ghorayeb

 

Voltamos ao velho assunto, depois da morte de artistas que são ou foram usuários de drogas ilícitas de toda ordem. O Dr. Rui F. Ramos, Chefe da Unidade Coronariana do Inst. Dante Pazzanese de Cardiologia nos traz sua experiência no atendimento emergencial de usuários de drogas ilícitas.

“A cocaína é extraída das folhas do arbusto da coca (Erythroxylon coca) e consumida por cerca de 14 milhões de pessoas em todo o mundo, com idades entre 15 a 64 anos. Os tabagistas e os usuários de álcool são 10 vezes mais propensos a consumir cocaína. Seus efeitos ocorrem devido ao bloqueio da recaptação pré-sináptica dos neurotransmissores  (dopamina, noradrenalina e serotonina) nos sistemas nervoso central e periférico e ao bloqueio da membrana dos canais de sódio.  Esta última ação responde por seu efeito anestésico local e pode contribuir para a presença de arritmias cardíacas. A cocaína é prontamente absorvida pela  mucosa do nariz , da boca e dos tratos geniturinário, gastrointestinal e respiratório.  Seus metabólitos aparecem  no sangue, urina, cabelo , suor, saliva e  leite materno.  Análise desses tecidos e fluidos podem ser utilizadas para detecção da droga. O uso crônico da cocaína, por qualquer via de administração está associado a maior risco de infecção, hepatite viral e AIDS. Sintomas cardiovasculares, particularmente dor torácica, são frequentes entre os  usuários de cocaína que procuram os serviços de emergência. Em tais pacientes, o infarto agudo do miocárdio, arritmias, a miocardite, dissecção e ruptura aórtica,  vasculite e aneurisma de artéria coronária devem ser sempre considerados. O uso da cocaína é responsável por cerca de um quarto dos ataques cardíacos não fatais em pessoas com idade inferior a 45 anos.  Os efeitos semelhantes ao da adrenalina (conhecidos como simpaticomiméticos) como o aumento da frequencia cardíaca, da pressão arterial sistêmica e efeito de estreitamento das coronárias ocorrem pela estimulação alfa e beta adrenérgica e resultam no aumento no consumo de oxigênio  pelo miocárdio. Outros efeitos cardiovasculares da cocaína incluem a formação de trombos, via ativação da agregação das plaquetas, e maior produção de tromboxano (elemento coagulante), arritmias e  vaso espasmo,  podendo levar ao infarto do miocárdio mesmo em pessoas jovens, sem placas de aterosclerose.  Em diferentes estudos, aproximadamente dois terços dos infartos ocorreram em até três horas após o consumo de cocaína, variando de um minuto à quatro dias e aproximadamente 25% ocorreram no prazo de 60 minutos.  A miocardite (inflamação do miocárdio) é um achado comum na necrópsia de usuários de cocaína. O mecanismo mais provável é a reação de hipersensibilidade levando à inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite) e miocardite induzida pela efeito toxico da adrenalina. Embora potencialmente fatal a  miocardite pode ser totalmente reversível, se for identificada no início do processo da doença.  A dilatação global do coração (miocardiopatia dilatada) também  tem sido documentada entre usuários de cocaína,  provavelmente resultado dos efeitos tóxicos diretos sobre o coração, que levam à destruição de miofibrilas, fibrose intersticial, dilatação do miocárdio e insuficiência cardíaca. O hiperefeito da adrenalina cocaína-induzido pode produzir necroses no coração e outras mudanças da estrutura do coração. Arritmias são raramente vistos em pacientes que abusam de cocaína. O potencial de arritmias é mal compreendido, mas por causa de seu perfil farmacológico e capacidade de induzir um estado de hiperefeito de adrenalina, é provável que a droga possa produzir ou aumentar arritmias sob certas circunstâncias. Dentre as alterações que têm sido associados com o consumo de cocaína estão a  taquicardia sinusal e bradicardia, bloqueios elétricos do coração, morte súbita por fibrilação ventricular ou assistolia), taquicardia ventricular. O abuso de cocaína pode produzir uma variedade de outras complicações cardíacas, incluindo hipertrofia cardíaca patológica, a endocardite infecciosa entre os usuários por via intravenosa, isquemia dos vasos sanguíneos abdominais e aceleração da aterosclerose. 

Outra droga, a metanfetamina é rapidamente absorvida após a administração oral, pulmonar, nasal, intramuscular,  intravenosa, retal e vaginal.   Embora a metanfetamina tem uma meia-vida plasmática de 12 a 34 horas, a duração do seu efeito comumente persiste por mais de 24 horas. Seus efeitos cardiovasculares são a taquicardia sinusal e hipertensão arterial, comuns em  pacientes intoxicados, com mecanismo fisiopatológico semelhante ao da cocaína. A isquemia miocárdica com infarto do miocárdio e miocardiopatia foram identificadas em usuários agudos e crônicos. Pacientes que se apresentaram na emergência com queixa de dor no peito após uso de metanfetamina, 25% apresentavam evidência de infarto do miocárdio. O colapso cardiovascular nestes pacientes não é incomum e ocorre devido a combinação de exaustão de neurotransmissor, acidose metabólica e desidratação. Pacientes colocados em restrições físicas podem sofrer parada cardíaca súbita devido a uma combinação de desidratação, esgotamento de neurotransmissores adrenérgicos e acidose metabólica.

Finalmente a  maconha causa  alterações principalmente cerebrais .Pode representar um risco cardiovascular em idosos com Doença Aterosclerotica Coronária e Doença Vascular Cerebral, por causa do aumento das catecolaminas, dos níveis de carboxihemoglobina, aumento do trabalho cardíaco, e eventuais episódios de hipotensão postural intensa. A maconha raramente esta associada ao Infarto do miocárdio. Devemos lembrar que os usuários de droga consomem muitas vezes uma associação de drogas lícita e ilícitas pontencializando os seus efeitos maléficos.





Dr. Nabil Ghorayeb
- CREMESP 15715
Doutor em Cardiologia (FMUSP)
Especialista  em  Cardiologia  e Medicina do Esporte
Radio Sputnik Brasil
Nossa entrevista à Rádio Sputnik Brasil, dia 14 de junho 2018
Ouça aqui  



Nossa entrevista no programa Jornal Gente da Radio Band AM e FM, dia 2 de setembro 2017 - Cardiologia e Medicina do Esporte
Ouça aqui

 

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Última atualização: 25.01.2015, por Lógika
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